Uma família, uma cidade, um hotel — a história do Fasano, de 1902 até hoje
Poucas regiões de São Paulo recompensam uma caminhada lenta como o bairro Jardins
Em poucos quarteirões, você passa de uma das ruas de moda mais sofisticadas da América Latina para a fachada de uma galeria de arte contemporânea, e em seguida para um jardim particular escondido atrás de portões de ferro forjado que, décadas atrás, pertenciam ao casarão de um barão do café. O bairro condensa séculos de São Paulo em uma única caminhada. Não é coincidência que o Fasano tenha escolhido este endereço para construir seu primeiro hotel, em 2003. Era, simplesmente, o lugar onde fazia sentido.
O Bairro
O bairro Jardins foi desenhado no início do século 20 pelos mesmos homens que construíram a fortuna paulistana sobre as exportações de café. Os casarões erguidos por eles ao longo de ruas arborizadas, com seus jardins murados, varandas de mármore e salões pensados para receber com pompa, estabeleceram um padrão discreto de vida refinada que o bairro nunca abandonou — apenas modernizou.
A transformação de área residencial privilegiada em polo cultural e comercial aconteceu de forma gradual: em vez de apagar o passado, o bairro Jardins o absorveu. As casas foram convertidas em ateliês, galerias e restaurantes. A Rua Oscar Freire, que corre paralela à Rua Vittorio Fasano, tornou-se o endereço de referência para maisons internacionais e marcas brasileiras de design, sem nunca perder sua escala humana ou a facilidade de ser percorrida a pé.
O que distingue o Jardins de outros distritos de moda é que ele nunca foi homogeneizado. A galeria Luisa Strina, que representa alguns dos nomes mais relevantes da arte contemporânea brasileira, fica a poucas ruas de boutiques e padarias. O MASP, com sua estrutura suspensa sobre a Avenida Paulista, está a menos de quinze minutos a pé do hotel; a Pinacoteca do Estado, a uma curta viagem de metrô. É o tipo de bairro onde há sempre mais a descobrir do que um único dia permite.
A Família
O Hotel Fasano São Paulo está no centro disso, na Rua Vittorio Fasano — uma rua que corre paralela à Oscar Freire e carrega, em seu nome, toda a história do motivo pelo qual a família escolheu este endereço.
A história começa em 1902, quando Vittorio Fasano, um imigrante italiano nascido em Milão, abriu a Brasserie Paulista no centro histórico de São Paulo. Não era um empreendimento de luxo; era um restaurante que servia a crescente comunidade italiana da cidade e uma burguesia paulistana que começava a descobrir os prazeres da gastronomia italiana. O que Vittorio plantou naquele endereço do centro foi algo mais duradouro do que um negócio — era uma filosofia de hospitalidade.
Por mais de um século, a família Fasano manteve essa filosofia enquanto São Paulo crescia ao redor. Geração após geração, o nome tornou-se sinônimo de um padrão discreto de excelência — construído sobre gastronomia e hospitalidade, não sobre o alarde ou a ostentação.
Quando Gero Fasano decidiu abrir o primeiro hotel da família, em 2003, a escolha do bairro Jardins seguiu a mesma lógica que guiou seu avô em 1902: estabelecer-se onde a cidade pensa, conversa e come bem. O endereço, Rua Vittorio Fasano, 88, é, em si, uma declaração e um reflexo dessa continuidade.

O Edifício
Projetado por Isay Weinfeld e Márcio Kogan, o edifício se apoia na linguagem arquitetônica paulistana das décadas de 1930 e 1940, com interiores precisos e pensados com discrição.
Nos 60 quartos e suítes, madeira escura, couro e pedra natural mantém o conjunto contido do início ao fim. A linhagem italiana aparece nos detalhes — tapetes persas, molduras venezianas, vasos de Murano — sem que nenhum deles requeira atenção. Para mais espaço, a suíte de dois quartos chega a 120m² de mármore branco; a deluxe, projetada pelo próprio Weinfeld, distribui sala de estar, sala de jantar e lavabo nos seus quase 100m².
O Spa Fasano oferece cinco salas de tratamento para quem quer se afastar da cidade por um momento.

Os Restaurantes
O Restaurante Fasano define o padrão da alta gastronomia italiana em São Paulo desde 1982 — mais de duas décadas antes do hotel existir. Quando o hotel foi construído ao seu redor, o restaurante tornou-se o centro de gravidade do edifício. O chef Luca Gozzani, com estrela Michelin desde 2015, cozinha a tradição italiana sem exageros. Com 80 lugares e uma sala privativa para 26, segue como um dos endereços preferidos da cidade — vale a visita, esteja você hospedado no hotel ou não.
No térreo, o Nonno Ruggero funciona como um contraponto cotidiano: aberto para café da manhã, almoço e jantar em uma varanda voltada para a Rua Vittorio Fasano, onde você e os moradores do bairro dividem o mesmo espaço com naturalidade.
À noite, o Baretto transforma o hotel em outra coisa. Eleito pela *Wallpaper\** o melhor bar do mundo, opera segundo uma lógica musical que poucos bares ainda praticam: bossa nova e cool jazz até a meia-noite; swing e bebop depois. Sente-se em uma das poltronas de couro — onde já se sentaram Caetano Veloso, Chico Buarque e Bebel Gilberto — peça o que o bartender sugerir e deixe a noite encontrar seu ritmo.
Para uma primeira visita ou um retorno, Hotel Fasano São Paulo segue como um dos endereços mais emblemáticos da cidade — um hotel que conhece São Paulo bem, e mostra isso.



