Um dia para explorar Ipanema, a partir do Fasano
Existe um tipo raro de hotel urbano que não busca retê-lo em seus domínios, mas sim situá-lo exatamente onde a vida acontece. O Hotel Fasano Rio de Janeiro é a tradução desse conceito: com sua entrada voltada para a Avenida Vieira Souto, o Atlântico se revela no exato instante em que se cruza o portal. Uma breve travessia e, em segundos, o mar se impõe. Ao caminhar, Ipanema se abre em toda a sua essência: um dos bairros mais icônicos do mundo, preservado em escala humana, dedicado aos prazeres e sem pressa alguma de vivê-los. A seguir, convidamos você para um percurso pela região — um roteiro desenhado para ser vivido no ritmo solar e despretensioso do Rio.

Manhã: café da manhã, depois as pedras
Comece pelo Fasano Caffè, no térreo do hotel, onde o café da manhã é servido em formato bufê ou à la carte, com um menu desenvolvido pelo chef executivo Luigi Moressa para preparar você para o dia que vem pela frente. O salão se divide entre uma sala interna tranquila e um terraço externo; a luz a esta hora é razão suficiente para sentar do lado de fora.
Quando estiver pronto para sair, siga pelo calçadão em direção ao sul, o calçadão de mosaicos que acompanha as praias do Rio, e em cerca de 10 minutos a pé (aproximadamente 600 metros), você chegará ao Arpoador, o costão rochoso que separa Ipanema de Copacabana. É talvez o melhor mirante gratuito do Rio. Surfistas trabalham a onda lá embaixo enquanto corredores e quem passeia com cães circulam por cima. Em manhãs claras, a vista alcança toda a extensão da praia de Ipanema, o Morro Dois Irmãos a oeste e a imensidão do Atlântico Sul no horizonte. Para os locais, o nascer do sol aqui beira o ritual. Vale chegar cedo o suficiente para entender por quê.
Do Arpoador, volte pelo calçadão em direção ao bairro propriamente dito. As ruas atrás da praia — em particular a Rua Garcia d'Ávila e a Rua Visconde de Pirajá — ganham vida antes das 10h, com padarias abrindo as portas, floristas arrumando a calçada e a energia matinal característica de um bairro de fato vivido.
Antes do almoço: a feira e as ruas
Aos domingos, a Praça General Osório (a cerca de 450 metros do hotel, seguindo pela Rua Vinícius de Moraes) recebe a Feira Hippie de Ipanema, uma feira ao ar livre que existe desde 1968 e segue como uma das expressões mais autênticas da cultura artesanal do Rio. Joias, pinturas, peças de couro feitas à mão e cerâmicas preenchem a praça sem nenhum dos clichês que se costuma esperar de uma feira turística.
Nos outros dias, a praça é mais tranquila, mas vale a caminhada do mesmo jeito. As ruas ao redor — Rua Vinícius de Moraes, Rua Farme de Amoedo, Rua Teixeira de Melo — formam o coração comercial e social de Ipanema, com livrarias independentes, concept stores e restaurantes de bairro que não têm nada a provar e tudo a oferecer.
Almoço: bossa nova e um chopp gelado
Volte para a Rua Vinícius de Moraes, 39 e você chegará ao Bar Garota de Ipanema, um genuíno patrimônio cultural local. É o bar onde, em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes observaram pela primeira vez a jovem que se tornaria A Garota de Ipanema, uma melodia que ainda hoje dita o compasso da cidade. A conexão com a bossa nova é discreta e absolutamente apropriada: um chopp gelado, uma porção de pastéis e o ritmo fácil do almoço dão o tom.
As ruas em volta da Praça Nossa Senhora da Paz, vizinha do hotel, também oferecem uma seleção bem feita de restaurantes de bairro adequada a um almoço longo e sem pressa.

Tarde: a oeste, em direção ao Leblon
Depois do almoço, siga pelo calçadão em direção ao Leblon. Os dois bairros dividem a mesma praia e se misturam um ao outro com naturalidade; a caminhada da nossa porta até o final do calçadão do Leblon é de cerca de 2 quilômetros e leva por volta de 25 minutos em ritmo tranquilo. A praia fica mais bonita no meio da tarde, quando a luz se torna dourada e as montanhas atrás da cidade começam a se desenhar contra o céu.
Na ponta oeste do Leblon, uma curta subida leva ao Mirante do Leblon, um mirante discreto com vista para a praia em direção ao Morro Dois Irmãos e ao Vidigal subindo a encosta logo atrás. É o tipo de vista que faz a caminhada valer inteiramente a pena.
Na volta, indo para leste, o calçadão passa pelos quiosques do bairro: faça uma pausa para uma água de coco gelada ou uma caipirinha. Como alternativa, se optar por ver a luz da tarde do alto, retorne ao Pool Bar do oitavo andar do hotel (exclusivo para hóspedes), com coquetéis, sucos frescos e uma vista panorâmica da praia de Ipanema.

Pôr do sol e noite: os aplausos no Arpoador
O ritual do pôr do sol no Arpoador vale ser vivido pelo menos uma vez. Toda noite, quando o sol desce atrás do Morro Dois Irmãos, uma multidão se reúne nas pedras e, quando tudo se alinha perfeitamente, aplaude no instante em que a luz desaparece. Um gesto espontâneo, despido de afetações e essencialmente carioca.
Do Arpoador, é uma curta caminhada de volta pela Avenida Vieira Souto até o Fasano, e até o nosso restaurante Gero Rio, que se firmou como uma das melhores salas de jantar da cidade. Projetado pelo arquiteto Miguel Pinto Guimarães, o espaço alterna entre um interior marcante de paredes de tijolo — colunas em tom acobreado, madeira quente, o murmúrio fácil de um salão que se conhece — e um charmoso terraço a céu aberto, perfeito para noites quentes. A cozinha tem fundamentos classicamente italianos: risotos, massas feitas à mão, pratos de peixe e carne discretamente reconhecidos pelas publicações que levam essas coisas a sério.
Quando a última brisa do mar se acalma e as velas do terraço já estão baixas, não há outro lugar onde você precise estar. Ipanema estará à espera para recebê-lo de novo pela manhã.


